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27 de jul de 2016

A Maçonaria esteve presente nos principais momentos históricos do Brasil e agora está combatendo fortemente a corrupção

A Maçonaria participou dos mais importantes momentos históricos do mundo e do Brasil (Independência, Libertação dos Escravos, Proclamação da República, Conquista da Constituição.... Tive a grata satisfação ao ler no  dia 23 de julho de 2016 a matéria no Jornal Estadão do Grão-Mestre do Grande Oriente de São Paulo (GOSP), Benedito Marques Ballouk. Ele expressou como a Maçonaria está se inserindo novamente no âmbito político. Por ser uma instituição que preza pela Justiça, Direito, Retidão e Busca da Verdade tal inserção é de grande valia para a sociedade brasileira. Em 2008, foi criado o GEAP (Grupo Estadual de Ação Política) para atuar na política ideária e no combate à corrupção. O grupo já obteve relevantes resultados e continua tomando corpo. Ballouk tem proporcionado grandes e consistentes mudanças na Maçonaria paulista, pois tem desmistificado falsas ideias sobre a Ordem e, sobretudo, uniu ainda mais os Maçons empregando as NTICs (Novas Tecnologias da Informação e Comunicação), principalmente por meio da criação de uma rede social formada apenas por Irmãos. Leia baixo a matéria do Estadão e entenda melhor os fatos...
Vandi Dogado, educador e escritor 

POR BENEDITO MARQUES BALLOUK FILHO*
Jornal Estadão
Pela conjunção de uma série de fatores, o Brasil passa pelo que alguns chamam de “era dos escândalos”. Seja na TV ou no rádio, nos jornais ou no computador, na fila do banco ou nas conversas do trabalho, somos bombardeados diariamente por incontáveis manchetes e notícias sobre corrupção, envolvendo empresas, partidos e a classe política em geral.
Há quem atribua esse fato a uma escalada dos esquemas que desviam recursos públicos, enquanto outros entendem que estamos assistindo a um aumento sistemático da força empreendida em investigar e tornar públicos esses crimes. De uma maneira ou de outra, a verdade é que vivemos um momento político ímpar.
Nunca antes se falou tanto em corrupção, assim como nunca antes uma bandeira contra ela foi levantada por parcela tão expressiva da população. Extirpar esse câncer que corrói o tecido social de nossa Pátria passou a ser questão de honra para muitos, em razão do aclaramento da consciência cívica dos brasileiros.
Diante desse cenário, nossa responsabilidade cívica vai além do voto, princípio básico de uma democracia. Hoje, falar, pensar e fazer política deixou de ser uma atividade exercida a cada quatro ou dois anos, mas algo permanente, enraizado em nossas relações e permeando o nosso dia a dia. Com a sociedade civil organizada não seria diferente.
A luta contra a corrupção e o resgate da dignidade no exercício do poder já mobiliza instituições civis por todo o Brasil, de organizações de classe a grupos, institutos e ONGs. É uma batalha diária pela mobilização em prol da retomada do protagonismo político, norteada pela visão da política como ferramenta única de transformação social; que não pode ser vista como algo simples, sem interesse ou importância. Como dizia Platão, “a desgraça dos que não gostam da política é que são governados pelos que gostam”. Alguns não só gostam, como a utilizam em proveito próprio – e são esses que devem ser banidos da vida pública.
É assim, fazendo parte desse coro que clama por medidas emergenciais de mudança, que a Maçonaria do Estado de São Paulo busca seu protagonismo e o resgate do seu passado histórico de lutas e conquistas para a construção da nossa Pátria. A Ordem Maçônica esteve presente em momentos fundamentais da nossa História, como a Independência do Brasil, a Proclamação da República, a abolição da escravatura, a redemocratização do País e outros eventos marcantes, sempre altiva e coadjuvante no progresso e na evolução de nossa gente e de nossa Pátria.
Hoje lutamos pela mudança desse cenário caótico, tornando público o ímpeto da Maçonaria de estar inserida, juntamente com outras organizações da sociedade civil, no mesmo coro por uma renovação nacional. Com esse foco os maçons paulistas instituíram e têm ampliado sistematicamente o Grupo Estadual de Ação Política (Geap-SP). Essa iniciativa reúne associados das três Obediências Maçônicas do Estado, do Grande Oriente de São Paulo (Gosp), da Grande Loja do Estado de São Paulo (Glesp) e do Grande Oriente Paulista (GOP), e tem um objetivo único e simples: lutar para a construção de uma classe política brasileira composta por pessoas dotadas de valores éticos e comprometidas com a Pátria e o bem comum. Entendemos que o Brasil é um país promissor, que necessita investir na educação de base para o surgimento de uma nova geração comprometida com esses nobres princípios.
Essa proposta não é utópica nem ingênua, mas um exemplo de mobilização da sociedade civil que já funciona e se expande. O Geap coordena grupos locais e incentiva as lojas maçônicas a estar cada vez mais próximas do processo político nesse ideário, principalmente neste ano de eleições municipais. Combater a ignorância do voto nulo e o desprezo ao próprio voto, a única ferramenta capaz de realizar as mudanças tão necessárias para um País livre do jugo da corrupção e voltado para o progresso, como uma das maiores nações do mundo.
Assim, os maçons passaram a receber os candidatos eletivos, deles buscando compromissos que visam a resgatar a ética e a cidadania. Mais do que isso, esse grupo político atua identificando potenciais lideranças maçônicas ou de outras esferas sociais que possam representar esses ideais da transformação da sociedade. Todos esses candidatos podem, então, solicitar o apoio da Maçonaria, sendo possível orientá-los sobre o processo de filiação aos partidos políticos antes mesmo de as coligações serem feitas, participando assim da formação estratégica dessas lideranças, sejam tais candidatos maçons ou não. O essencial é que eles sejam comprometidos com a ética, com a probidade administrativa e com a moralidade pública.
O mais importante , porém, é a contrapartida exigida. Fazendo parte ou não da Maçonaria, todos os candidatos que buscam esse apoio assinam um termo de compromisso, garantindo não apenas sua conduta e suas intenções, mas se predispondo a realizar visitas periódicas depois de eleitos para a prestação de contas de suas ações enquanto representantes da população.
Esse é um exemplo de atuação da sociedade civil organizada, que não apenas ajuda a identificar e apoiar nomes que possam substituir os corruptos instalados no poder público, mas também fiscaliza suas ações após o processo eleitoral. Um trabalho que deve ser realizado de forma constante e coletiva, já que nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos.
Nosso papel é fazer uma interface do discurso maçônico com a prática cidadã, atuando na evolução da sociedade por meio do exercício direto da política. É uma forma de revolução pacífica, cívica e democrática, permitindo, assim, a construção de um País melhor para todos e para as gerações futuras.

* BENEDITO MARQUES BALLOUK FILHO É ADVOGADO, GRÃO-MESTRE ESTADUAL DO GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO, REPRESENTANTE DE MAIS DE 24 MIL MAÇONS PRESENTES EM CENTENAS DE MUNICÍPIOS PAULISTAS

20 de jun de 2016

Um papagaio como testemunha de homicídio?

Publicado por Canal Ciências Criminais - 2 dias atrás


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Por Vitor da Matta Vivolo
Este mês, um promotor de Michigan foi deparado com um estranho pedido: familiares de uma vítima de homicídio, Martin Duram (45 anos), entraram com um pedido para que o papagaio da casa fosse chamado “a depor”, sendo considerado testemunha do assassinato de seu dono. O animal aparentemente esteve presente quando Martin fora baleado, repetindo constantemente agora a frase “Don’t f*cking shoot!” (“não atire, p*rr*!”). A mãe da vítima fez vídeos registrando a imitação e encaminhou aos investigadores.
Bud, a “testemunha” - aspas ficam a critério do leitor - em questão, é um papagaio-cinzento, considerado uma das espécies mais dotadas de inteligência e capacidade de imitação vocal. Irene Pepperberg, bióloga e pesquisadora especialista da espécie há quase quarenta anos, diz que “as habilidades comunicativas deles são, se você tiver sorte, similares a de uma criança de dois anos de idade”. E suas habilidades cognitivas beiram a de uma criança de cinco anos. Pepperberg ainda afirma que os papagaios-cinzentos são comparáveis a golfinhos e chimpanzés no quesito intelectual e de aprendizado.
No entanto, a pesquisadora não aparenta ter absoluta certeza da veracidade do testemunho no caso, mesmo não descartando a possibilidade de que Bud tenha aprendido a frase através de uma interação social traumática ocorrida com alguém considerado seu amigo, em situação perigo. Provar tal retenção de memória na corte seria a dificuldade, segundo ela.
“Não consigo imaginar uma situação em que um papagaio esteja qualificado a ser testemunha em corte”, comentou Robert Springstead, promotor responsável pela revisão do caso. “É um caso interessante, mas existem outras informações certamente mais confiáveis no relatório policial e na investigação”, completa. O assunto é delicado, visto que a família afirma desconfiar que a esposa de Martin talvez seja a responsável pelo tiro.
Pesquisas realizadas por estudiosos como Timothy F. Wright, acerca da evolução e comunicação entre aves, talvez sejam relevantes em casos similares. Dr. Wright dedicou-se a estudar comunidades de papagaios e demais psitacídeos (Psittaciformes, ordem animal a qual também pertencem periquitos, calopsitas e araras). Chegou a conclusão de que a similaridade vocal entre papagaios é importante na manutenção das relações sociais de cada bando. Implantando aves mais idosas e mais jovens em bandos estrangeiros aos de sua origem, Wright observou que os membros recém-chegados só conseguiram se adaptar totalmente quando aprenderam a imitar os novos cantos toados pelo grupo.
Os mais jovens foram bem sucedidos, dispostos a aprender os sons de seus vizinhos; enquanto os mais velhos preferiram manter suas entonações antigas, segregando-se em uma pequena comunidade de “estrangeiros”. A imitação, segundo a pesquisa, faz parte da inclusão social dos papagaios em suas comunidades humanas.
Há precedentes históricos a corroborar o uso do testemunho de Bud. Nos anos noventa, um papagaio fêmea chamado Echo tornou-se um dos primeiros animais a ser encaminhado ao programa de proteção de testemunhas norteamericano. Seu antigo dono havia sido Anthony Corolla, chefe do crime em Nova Orleães, acusado de homicídios e abusos infantis. Echo, testemunhando ambos, reproduzia os diálogos e choros das vítimas posteriormente. O trauma causado na memória do animal fora utilizado como evidência e, assim que Corolla foi acusado e preso, seu bicho de estimação foi encaminhado à proteção de testemunhas.
Um papagaio pode ser humanizado a ponto de se tornar um depoente? Ou ainda permanece como um “animal”, um ser “irracional”? Talvez resida aí a polêmica. Nos resta esperar o desenrolar dos fatos, mas é interessante percebermos as formas tomadas por nossas relações sociais com nossos animais de estimação na sociedade moderna.

REFERÊNCIAS
“Could a parrot serve as witness in Michigan murder trial?”, Disponível aqui.
“Parrot mimicking murder victim's last words, family says”, Disponível aqui.
“Parrots Are a Lot More Than ‘Pretty Bird’”. Disponível aqui.
“5 Times Animals Served As Witnesses In Criminal Cases, From Talkative Parrots To Blood-Stained Cats”, Disponívelaqui.
Fonte: JusBrasil

9 de jun de 2016

Prisão de um investigado pela PF: algo normal, não fosse Machado de Assis

Por Gamil Föppel El Hireche e Pedro Ravel Freitas Santos
“Isso é isto. Simão Bacamarte achou em si os característicos do perfeito equilíbrio mental e moral; pareceu-lhe que possuía a sagacidade, a paciência, a perseverança, a tolerância, a veracidade, o vigor moral, a lealdade, todas as qualidades enfim que podem formar um acabado mentecapto. Duvidou logo, é certo, e chegou mesmo a concluir que era ilusão; mas, sendo homem prudente, resolveu convocar um conselho de amigos, a quem interrogou com franqueza. A opinião foi afirmativa.
(...)
Era decisivo. Simão Bacamarte curvou a cabeça, juntamente alegre e triste, e ainda mais alegre do que triste. Ato continuo, recolheu-se à Casa Verde. Em vão a mulher e os amigos lhe disseram que ficasse, que estava perfeitamente são e equilibrado: nem rogos nem sugestões nem lágrimas o detiveram um só instante.
(...)
Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo.”[1]
Quarta-feira, 8 de junho de 2016. Noticia-se a prisão do senhor Newton Ishii, conhecido midiaticamente como o “Japonês da Federal”, (diga-se de passagem, todo e qualquer réu/investigado há de ser tratado com respeito). Ganhou notoriedade, virou máscara de carnaval... O agente policial teria sido preso por conta de suposta e ainda averiguável conduta típica de facilitação ao contrabando. Não se tratará do processo movido contra o Policial Federal. Não se acusará ou defenderá o agente, muito embora se presuma a inocência de todo aquele que é investigado, presunção que se mantém mesmo depois do fatídico HC126.292. O objetivo deste ensaio é tão somente alertar para as incongruências, para os níveis de tratamento diferenciados, a demonstrar que a dignidade de uns é mais respeitada que a de tantos outros.
Abre-se a homepage da Folha de S. Paulo: sob o título “’Japonês da Federal’ é preso pela PF por facilitar contrabando”, surge a imagem da condução do senhor José Dirceu à sede da Polícia Federal em Curitiba. Em outra foto, a imagem da prisão do senhor Marcelo Odebrecht. Em outra fotografia, a condução do senhor José Carlos Bumlai. Enfim, uma série de investigados na denominada operação “lava jato”. Contudo, nenhum sinal, nenhum registro da prisão que ocorreu essa manhã, tendo como investigado o outrora condutor dos acusados. Este breve ensaio, por coerência, não se arvora a cobrar sensacionalismo contra o hoje preso por suposto contrabando. Contudo, inexiste razão para um tratamento tão dispare: de um lado a publicidade opressiva nas operações e conduções. Noutro giro, o silêncio eloqüente e permissivo dos outrora algozes.
Aliás, qualquer operador de busca na rede mundial de computadores não aponta qualquer imagem da prisão deste investigado. Assim deveria ser com todos. Digna de nota foi a atuação da polícia suíça, que, para proteger a identidade dos investigados, pôs um lençol para não permitir que a imagem dos investigados — presumidamente inocentes — fosse exposta.[2]
Por que promover verdadeira devassa contra uns, exibindo-os como se troféus fossem, e, paradoxalmente, silenciar (na verdade cumprir a lei, a Constituição) em relação aos mais íntimos, próximos? A Lei de Execução Penal[3] é cristalina ao dispor em seu artigo 41, como direito do preso:
Art. 41 - Constituem direitos do preso:(...) VIII - proteção contra qualquer forma de sensacionalismo;
Demonstra-se, a clara luzes, a escolha definitivamente por um direito penal e, sobretudo, processo penal do inimigo. Assim, com esse novel e inconstitucional tipo de processo, permite-se ao Estado dois caminhos, dois tipos de tratamento do “delinquente”. A marca indelével do proceder contra o inimigo é, na lição de Luiz Flávio Gomes e Alice Bianchini:
“O tratamento diferenciado, antigarantista, discriminador e injustificado de determinados autores de crimes, pois, segundo nossa perspectiva, é a característica mais marcante do Direito Penal do Inimigo”.[4]
Trata-se de demonstração cabal das arbitrariedades e inconsistências que marcam os recentes rumos do processo penal brasileiro. Como se o Direito Penal (todos os ritos, todos os movimentos) precisasse do acompanhamento sensacionalista dos holofotes midiáticos. Como se a presunção de inocência o direito à honra e a imagem fossem quimeras do sonhador constituinte. Não o são. Segundo Sergio Cademartori:
“Esses direitos naturais positivados, ora em diante denominados ‘direitos fundamentais’, passam a ser então o alicerce das democracias modernas, já que sem o seu reconhecimento e proteção, aquela se inviabiliza. A legitimidade democrática dos governos contemporâneos passa assim a ser medida pelo respeito e pela implementação desses direitos por meio de mecanismos de legalidade, erigida esta em instrumento privilegiado de concretização dos valores fundamentais que são plasmados por meio daqueles.(...) A emergência e hegemonia dos direitos fundamentais na estrutura político-jurídica dos Estados contemporâneos vêm a estruturar um novo modelo teórico e normativo que se convencionou denominar ‘modelo pós-positivista’ ou ‘neoconstitucionalismo’” [5]
Inconteste o direito fundamental à liberdade de expressão e informação, ambos consagrados na Lei Maior de 1988, que no entanto, não se cuida de direito absoluto. Dessarte, essencial que o processo criminal se caracterize como justo, é dizer, imperioso que o julgamento criminal se concretize com justiça.
Ocorre que, o populismo midiático, expressão cunhada por Luiz Flávio Gomes, impede que se efetive a proposta Constitucional de 1988, consoante adverte:
“O populismo penal (popular, legislativo ou midiático) não escuta a ciência (os cientistas). Não apresentam estatísticas (positivas) da eficácia da lei penal. Age sob a égide obscurantista da fé (não da ciência), ou seja, da crença (enganosa) de que o seu remédio (mais leis) funciona. Explora a (primitiva e atávica) reação emotiva da população frente ao crime e confere às suas leis a finalidade de coesão da sociedade (Durkheim).”[6]
Urge enxergar a justiça, não somente como um ideário jusnaturalista, ou seja, como produto do processo. Evidentemente, percebe-se patente o conflito entre a liberdade de expressão e informação e o direito ao julgamento criminal justo. Nesse sentido, adverte Simone Schreiber:
“A distinção entre a verdade midiática e a verdade processual é de fundamental importância para se compreender a nocividade de determinadas manifestações jornalísticas que se arvoram em desvendar fatos criminosos e pautar a atuação da justiça a partir de sua atuação. A verdade produzida pela imprensa não é mediada pelas garantias do processo, portanto, não pode ser levada em conta pelo juiz quando dita a sentença. A verdade judiciária é construída com distanciamento e através de um processo dialético de contraposição de versões do fato e debate. Esse amadurecimento é essencial ao ato de julgar, contudo, no discurso da imprensa, essa verdade mediada é percebida como resultado do mau funcionamento das instituições, resultado das artimanhas das partes, falhas do sistema e da excessiva permissividade de alguns juízes. O Supremo Tribunal Federal tem se mostrado intransigente com a admissão de provas ilícitas no processo criminal. Do mesmo modo, é preciso impedir que as provas produzidas pela mídia influenciem a convicção dos juízes, e mesmo que sejam indevidamente introduzidas no processo, especialmente nos procedimentos de júri.”[7]
A publicidade serve, primordialmente, como garantia do cidadão acusado. Trata-se de possibilitar a qualquer investigado conhecer a imputação que sobre si recai, afastando possíveis arbitrariedades e ilegítimas discricionariedades do Poder Estatal. Historicamente, a publicidade é desdobramento do sistema acusatório. Assim:
O processo penal moderno, cunhado sob o pensamento político liberal, consagrou a publicidade como garantia do acusado, contrapondo-se ao modelo inquisitorial, em que o segredo na condução do processo viabilizava o cometimento de toda sorte de atrocidades contra aqueles que caíam nas malhas dos tribunais de inquisição.[8]
Neste passo, convém esclarecer que o PLS 236/2012, o projeto de reforma do Código Penal (muito criticado por muitas pessoas, algumas que sequer o leram) prevê uma atenuante para a exposição do réu à publicidade opressiva. Veja o quanto disposto no artigo 81-f, a respeito das atenuantes: “II – ter o agente: f) sofrido violação dos direitos do nome e da imagem pela degradação abusiva dos meios de comunicação social.
Caminha-se, perigosamente, para o abismo do “utilitarismo penal”. A sociedade precisa entender que o Processo Penal não necessita de heróis. Precisa-se de bons juízes, não de juízes bons. Verdadeiramente, se espera um Ministério Público ativo, não ativista. E os direitos fundamentais são dos cidadãos. Não dos cidadãos policiais. Não dos cidadãos compadres. Urge aplicar a Constituição a todos, orientais ou não, aos idólatras, infiéis ou pagãos...

1 O Alienista. Machado de Assis. Disponível em:http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000012.pdf
3 O projeto de Lei do Senado nº 513/2013, que altera a LEP também inibe qualquer forma de sensacionalismo. Pesa dizer que não se tenha qualquer tipo de notícia a respeito de investigações para inibir este tipo de violação, tão comum em programas televisivos...
4 GOMES, Luiz Flávio. Direito penal do inimigo e os inimigos do direito penal. In: EL HIRECHE, Gamil Föppel. Novos desafios do terceiro milênio: estudos em homenagem ao Prof. Fernando Santana. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008, p, p.654.
5 CADEMARTORI, Sergio. Estado de Direito e Legitimidade. Uma abordagem garantista. Editora Millennium. P. 25
6 GOMES, Luiz Flávio. A mídia acredita no populismo penal.Disponível em http://www.lfg.com.br - 18 de outubro de 2010.
7 SCHREIBER, Simone. A publicidade opressiva de julgamentos criminais – Uma investigação sobre as consequências e formas de superação da colisão entre a liberdade de expressão e informação e o direito ao julgamento criminal justo, sob a perspectiva da Constituição brasileira de 1988. Rio de Janeiro: Renovar, 2008, p. 410 e 411.
8 SCHREIBER, Simone. Disponível em:http://www4.jfrj.jus.br/seer/index.php/revista_sjrj/article/viewFile/381/339Acesso em 08 de junho de 2016.
Fonte: JUSBRASIL (Sic)

1 de jun de 2016

Resenha do livro O Templo de Aiakos do Blog Entre Resenhas

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Título: O Templo de Aiakos – Parte 1
Autor: Vandi Dogado
ISBN: 978-989-51-1597-6
Gênero: Ficção/Suspense
Páginas: 278
Editora: Chiado

POR RÊ SOUZA
Sinopse:
 
Após assassinar os próprios pais, Peter Butller recebe uma grande fortuna e constrói um complexo prédio subterrâneo, que nomeia de O Templo de Aiakos, em homenagem a um dos filhos de Zeus. Obcecado em tornar-se um gênio, Butller sequestra um neurocientista ganhador do Prêmio Nobel, uma psicóloga, três crianças excepcionais, três jovens com alto QI, um decifrador de códigos da CIA e um agente do FBI, com o objetivo de realizar experiências científicas e criar a Pílula da Inteligência.
Além das terríveis experiências, ocorrem misteriosos e brutais assassinatos no Templo Aiakos.
Quem parece não estar envolvido, às vezes, é o principal responsável pelas mortes, sendo muito difícil no decorrer da leitura desvendar quem é o protagonista e quem é o antagonista. Todavia o autor oferece dicas por meio de características psicopatológicas, de forma a que o leitor atento possa descobrir quem está envolvido nos crimes. Há, ainda, uma poderosa sociedade secreta controlando os criminosos de O Templo de Aiakos.
Este é um livro para quem aprecia um enredo complexo e possui nervos fortes para aguentar os impactos emocionais. Apesar de ser um livro de suspense e mistério, traz duras críticas à ciência contemporânea.

Resenha:
O início da leitura foi bem tranquila, o autor narra a vida cotidiana da família Butller, uma família milionária, aparentemente normal e feliz, mas assim que vamos nos aprofundando na leitura começamos a notar o quanto o personagem Peter Buttler um dos filhos de Brake Buttler e Lara Liza tem uma personalidade perturbadora. Apesar de ser amado por seus pais e irmão, Peter sempre se sentia inferiorizado e rejeitado, aficionado por seu laboratório e com uma fixação doentia para encontrar alguma fórmula capaz de torná-lo um gênio, depois de ter seu laboratório retirado de casa por seu pai, Peter se revolta e assassina sua família de maneira brutal.Passado dez anos e com o caso do assassinato da família arquivado sem solução e completando a maioridade, Peter sai da casa de sua tia onde vivia depois do crime para receber sua herança e volta para sua casa, constrói um misterioso templo subterrâneo dando  o nome de Aiakos – homenagem a um dos filhos de Zeus, coloca em prática seu plano perturbador de se tornar um gênio usando cobaias humanas para a criação da pílula da inteligência, mas, não é só Peter que está em busca da criação dessa pílula, mas também outra organização chamada Rátio, tendo como integrantes membros poderosos do governo dos Estados Unidos. Quando li na sinopse que para ler esse livro seria necessário nervos de aço confesso que duvidei um pouco, mas, assim que me enredei pela trama me deparei com cenas bizarras, assustadoras e quase reais vividas pelos personagens sequestrados, realmente, para ler O Templo de Aiakos necessitamos ter nervos de aço.
O Templo de Aiakos é uma narrativa intrincada, onde nada é o que parece ser, além das experiências bizarras, o autor apresenta assassinatos misteriosos e brutais, reviravoltas surpreendentes e personagens um tanto quanto sinistros.
É uma história tingida de sangue e mistérios que envolve um neurocientista, uma psicóloga chamada Allana Carter – que aparentemente parecia doce (só aparentemente) e seu namorado Patrick , crianças especiais e adolescentes com QI acima da média, todos sequestrados e mantidos presos no Templo de Aiakos por Peter Buttler para suas experiências. É uma leitura tensa, cada página um frio na barriga esperando o que pode vir pela frente dentro do Templo assustador.
Gostei da escrita do autor, uma trama bem construída, ele soube manter o suspense até o final da história, soube encaixar com perfeição os acontecimentos  e assim parte do mistério começa a ser revelado. Nos deparamos também com uma crítica sutil com relação à ciência moderna e nos deixa pensativos sobre até onde se pode ir em nome da ciência, o que é certo ou errado, o permitido e o proibido…
E agora nos resta esperar pela segunda parte desse Thriller frio e assustador para saber o que a Rátio pretende fazer com o perspicaz  agente da CIA Patrik Monks.
A capa está linda, passa uma sensação de mistério e perigo como toda história. A edição está perfeita como sempre, a Editora Chiado está de parabéns.
Fonte: Blog Entre Resenhas
 

3 motivos para a Saraiva vender tão poucos e-books


Por Eduardo Melo 
Semana passada soubemos, pela Folha, que a Livraria Saraiva vendia “1 milhão de ebooks por trimestre”. Este número surpreendente teve vida curta, pois logo a Saraiva corrigiu a informação: o correto era “R$ 1 milhão por mês com ebooks”.
A diferença é brutal. Significa que são vendidos mensalmente, na prática, algo em torno de dezenas de milhares de exemplares. É muito pouco para a maior e mais tradicional livraria do Brasil.
Este desempenho pífio se deve, em parte, à tecnologia arcaica ainda usada pela Saraiva para receber os livros das editoras. Há três problemas principais que são críticos, e realmente dificultam a vida da editora para colocar seu livro diretamente na Saraiva, sem depender de uma distribuidora. Posso falar sobre estes problemas, pois a minha empresaenvia ebooks para a Saraiva desde fins de 2010. E desde aqueles tempos, o sistema usado para receber os livros é o mesmo, com raras melhorias.
1) Os ebooks nunca entram online automaticamente
Colocar um ebook no ar, na Livraria Saraiva, não é um processo automático.
Quando cadastramos o ebook no sistema, individualmente, ele nunca entre no ar de forma automática – como aconteceria em qualquer outra livraria online do porte da Saraiva (e até menores). Depois de cadastrar a obra, é preciso mandar um email para a equipe da livraria e pedir que liberem o livro. Isto está acontecendo sistematicamente, de uns meses para cá. A equipe da Saraiva nunca deu explicação para este problema. Apenas para constar, os livros que enviamos passam pelo ePubcheck antes de serem enviados, e nunca tivemos feedback de erros nos arquivos. É um mistério.
Imagine ter que mandar um email toda vez que você coloca um livro no ar? É totalmente inviável.
2) Na Saraiva, você só pode enviar dados e arquivos via navegador!
Incrível, mas você só consegue cadastrar e enviar arquivos dos livros via browser! Coisa da idade da pedra. Em 2010, 2011, ainda era aceitável. Em 2016, é complicado.
Todas as concorrentes, Apple, Kobo, Amazon, Google, distribuidoras (como a Bookwire), permitem de algum modo o cadastramento das obras através de um protocolo chamado Onix — um padrão internacional para transmissão de metadados de forma mais automatizada. Algumas destas lojas também aceitam o envio dos metadados em planilhas de Excel. Qualquer destas alternativas, permite um processo muito mais ágil e rápido de cadastramento de dados.
Quanto aos arquivos em si, ebooks e capas, na concorrência estes podem ser transmitidos por FTP, uma tecnologia antiga, prática e segura para transmitir grandes quantidades de arquivos numa tacada só. Ou um de cada vez, conforme a preferência do freguês.
Na Saraiva, o procedimento para cadastrar ebooks em lote exige toda uma mão-de-obra: é preciso usar um formato XML específico da Saraiva, que não é utilizado por nenhuma outra loja. Os arquivos dos ebooks e capas, precisa ser compactados em um arquivo .zip, para então serem enviados pelo browser! Ou seja, você não pode programar um computador para fazer o trabalho, você é obrigado a manter uma pessoa na frente do computador só para isso. É um custo extra, de tempo e mão-de-obra, para fazer algo que nas concorrentes é muito mais simples, prático e menos custoso.
3) A Saraiva oferece ferramentas que, adivinhe…
Todos os ebooks enviados para a Saraiva precisam vir acompanhados de uma amostra grátis. Esta amostra deve ser produzida pela própria editora. O sistema da Saraiva disponibiliza uma ferramenta que cria automaticamente esta amostra grátis.
Só que não funciona. Com dezenas de arquivos diferentes, tudo o que obtive da ferramenta até hoje foram mensagens de erro. O sistema nunca me retornou uma amostra grátis. E a parte mais interessante, é que a Saraiva fornece um “template” de ebook para ser usado como parâmetro para a estilização dos ebooks enviados para a plataforma. Nem mesmo para este arquivo, que é o template da própria livraria, a ferramente consegue criar uma amostra grátis.
Sem falar que, em outras lojas, esta amostra é criada de forma automática.
Também é oferecido um verificador online dos arquivos — o e-Pubcheck. Este também nunca funcionou, o site sempre retorna com um erro.
A propósito, tudo o que comentei acima, foi informado ou comentado com a equipe de livros digitais da Saraiva, semanas, meses e até anos atrás, por e-mail. O trabalho competente e dedicado dos profissionais da Saraiva seria muito facilitado, com a atualização da tecnologia e a automatização de certos processos, como ocorre nos demais concorrentes com o porte da Saraiva.
Por que não uso um distribuidor para enviar livros à Saraiva
Enfim, estes problemas de tecnologia impedem a minha empresa, e certamente outras editoras também, de colocar na Saraiva uma enorme quantidade de ebooks que já estão à venda em outras lojas. Se a Saraiva dá tanto problema, por que insistir?, vários colegas questionarão. Afinal, poderia utilizar o serviço de um distribuidor, como a Bookwire, e colocar os ebooks na Saraiva sem stress.
Reconheço que há muitos benefícios de se usar um distribuidor, como a praticidade, economia de tempo, etc. Porém, o sistema da Saraiva guarda uma grande vantagem sobre as distribuidoras: os relatórios de vendas são fáceis de visualizar e filtrar, e fornecem dados mais atualizados que os de qualquer distribuidora. Minha principal reclamação, contra todos os distribuidores, é justamente a demora deles em fornecer um relatório fechado das vendas. Com a Saraiva não tem este problema. E isto, para mim, é crítico. Outro aspecto a ser levado em conta, é a comissão cobrada pelas distribuidoras, que diminui a fatia a ser paga ao autor. As vendas no digital ainda são pequenas e cada % conta.
A Saraiva vende pouco? Sim, e isto é lamentável. Poderia vender mais? Sem dúvida! Melhorando a tecnologia por trás do recebimento e processamento de arquivos e metadados, conseguiria resultados melhores nas vendas. A Saraiva precisa investir mais em TI, pelo amor!! É um investimento que dá retorno. É só olhar em volta… quem investe em tecnologia, fica à frente.
Fique atualizado, receba nosso boletim por e-mail, enviado às segundas e quintas-feiras.
Fonte: Ebook News

31 de mai de 2016

UMA EXPLICAÇÃO SOBRE OS LIVROS NO BRASIL

Por Élio Figueiredo
Nosso irmão Vandi Dogado nos traz a lume notícia bastante desagradável acerca do mercado editorial brasileiro, que vem, na verdade, decrescendo, o que nos causa enorme tristeza.
Entretanto, gostaria de tecer alguns comentários a respeito, especialmente, citando alguns fatos históricos, que, em parte, explicam esse estado de coisas.
Em primeiro lugar, esclareço que ganhei de uma grande amiga um desses livros para preencher pintando. Acho extremamente gratificante pintá-lo, levando-o comigo, bem como, meus lápis de cor para tanto e, realmente, o tempo passa um pouco mais tranquilo, como agora, que estou na Flórida, curtindo uma solidão (temporária) para poder tentar escrever meu primeiro livro, que não será de maçonaria, mas acerca dos pensamentos de meu avô materno, Dom Salomão Ferraz, sacerdote cristão do século passado.
Retornando ao tema principal, livros e leitura, gostaria de citar alguns exemplos históricos, dando o autor, mas deixando de dar a perfeita localização dos fatos, pela ausência das obras que mencionarei.
O primeiro foi por volta de 1530 ou 1535, quando houve uma determinação do rei de Portugal para que, quem tivesse um livro em casa deveria entregar ao Sr. "O bispo" para que fosse enviado para Portugal.
Quem contou esse fato foi Wilson Martins, no seu História da Inteligência Brasileira, o que demonstra que nosso povo foi, desde o início da colonização, impedido de ler e, portanto, obter cultura!
A primeira imprensa na América Latina foi em Lima, no Peru, em 1560, ao passo que, no Brasil, foi em 1810, ou seja, 260 anos depois, mais um motivo para que o povo brasileiro fosse mantido na ignorância total. Esse fato consta do livro 1808, de Laurentino Gomes.
Outro fato que ocorreu em minha família, pois, meu avô paterno, João Baptista Figueiredo, nascido em 1880, foi pintor de vagão de estrada de ferro, em Jundiaí, tendo permanecido analfabeto até os 15 anos, por um único fato, naquela cidade - Jundiaí - não havia escolas e, a primeira foi fundada pela Loja Maçônica Amor e Concórdia (Grande Oriente Paulista), em 1895, tornando-se, ao longo do tempo, jornalista e advogado provisionado, pois fez o curso de Direito como ouvinte no Largo de São Francisco.
E, por último, um fato bastante recente, quando o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que ler é chato e dá dor de cabeça, ou algo parecido.
Como os irmãos podem verificar, nós fomos impedidos de ler, de aprender e de desenvolver nossa cultura e, até hoje, assim somos, como assistimos pelos fatos que, infeliz e lamentavelmente, nos foram trazidos por aquele escritor, que sofre, na carne, a má orientação dos governos deste país, que vêm, sistematicamente, sabotando a difusão da cultura, pois, um povo ignorante é muito mais fácil de ser massa de manobra, como os fatos que, atônitos e quase sem condições de lutar contra, vêm sendo trazidos à baila nas investigações sobre os políticos, das quais nos dizem que é, apenas, a 'ponta do iceberg'!
De absurdo em absurdo, o país vai se afundando no mar de lama que inunda a moralidade deste pobre Brasil!
Não sei se devo, mas deixo aqui meu brado de alerta para os Maçons (aqueles com "M" maiúsculo mesmo) e para a Maçonaria, que está passando do momento de lutar contra esse estado de coisas e, é minha opinião, devemos lutar com todas as forças possíveis, para tentar plantar sementes de amor e desejo pela cultura, especialmente, nas mentes das crianças, para que possam, nossos pósteros, assistir a uma lenta, mas inexorável melhoria da qualidade de vida deste país.
Fonte: JBNEWS
OBSERVAÇÃO: o texto de minha autoria citado por Élio Figueiredo segue abaixo:  

29 de mai de 2016

Confusões entre conceitos estreitos

Por Vandi Dogado
Existem inúmeros vocábulos que mal interpretados provocam ampla confusão no comportamento humano: autoestima e arrogância, humildade e subserviência, tolerância e conveniência, independência e autonomia, autoridade e autoritarismo, etc. Há centenas de dualidades inter-relacionadas semanticamente, no entanto explanarei apenas sobre anteriormente citadas e encerrarei tentando desfazer uma confusão que gera muitas brigas, não saber distinguir “questão de fato”, “questão de valor” e “questão semântica”.
Autoestima é um estado de espírito elevado e de reconhecimento da própria capacidade de realização, porém, se não tomarmos cuidado com seu real sentido, transforma-se facilmente em arrogância. Se temos habilidades e competências, não devemos as usar para humilhar quem não as possuem. A autoestima é importantíssima para nossa evolução, todavia só quando está atrelada à humildade. Contudo, humildade sem reflexão pode se transformar em subserviência. O fato de sermos humildes não significa que devamos aceitar tudo sem questionamento. Há muitos humildes detentores de enorme dificuldade em falar ou demonstrar suas habilidades e, também, de dizer não. Tais comportamentos atrapalham o sucesso pessoal e profissional, pois que tem dificuldades de dizer “não” acaba fazendo somente pelos outros e se metendo em encrencas. Por conseguinte, dizer “não” ao auxílio de pessoas necessitadas é tão maléfico quanto o contrário.
Outro grande equívoco vem da ausência de reflexão entre ser tolerante e ser conivente. Sabemos que grande parte da violência no mundo se deve à falta de tolerância e desrespeito às diferenças culturais, religiosas, étnicas, ideológicas, sociais e sexuais, por isso devemos nos engajar para que os seres humanos sejam tolerantes. Entretanto, não podemos nos esquecer de que há leis institucionais e regras sociais que devemos seguir. Podemos até discordar de uma ou outra lei, mas não devemos transgredi-la. O caminho é outro: pensar em estratégias articuladas e inteligentes para alterar as leis institucionais das quais discordamos, todavia enquanto forem vigentes devemos respeitá-las, sejam elas sociais ou institucionais. Logicamente, que se uma prática cultural atenta contra a vida deve ser combatida. Certos povos sacrificavam bebês em cultos religiosos como oferenda aos seus deuses. Assim sendo, devemos olhar com alegria e sem preconceitos para as diversidades, tendo sempre a preservação da vida como exceção a qualquer prática. Acontece que muitos passam aceitar prática ilegais ou preconceituosas pensando que estão sendo tolerantes ou valorizando as diferenças, mas estão sendo coniventes com atitudes ruins aos demais seres humanos.
Ainda há de se esclarecer que as leis e as regras sociais nos impedem sermos independentes. “Independente” é poder executar tudo o que acreditamos ser possível, por exemplo, um homem pode matar o outro? Sim, pode, contudo terá de pagar pelo crime. Quem procura independência está fadado ao sofrimento e à infelicidade. Nós podemos é ser autônomos (auto = próprio e nomo = norma), isto é, homens livres e de bons costumes que seguem normas. Hitler abstraiu equivocadamente a filosofia de Nietzsche quando este disse que a moral é uma criação humana e causou a morte de milhões. Realmente a moral é uma invenção humana, mas o filósofo nunca mencionou que se podia matar porque “assassinato” é uma prática exterior à moral. Um mundo sem regras sociais ou leis é extremamente perigoso para todos, inclusive para quem defende a ruptura de conceitos morais em nome do espírito crítico ou em nome de qualquer outra coisa. Observa-se atualmente absurdos como certas declarações de que as mulheres são culpadas pelos estupros porque vestiram roupas curtas. Qualquer um pode não concordar com o uso de trajes insinuantes, todavia o corpo é uma propriedade que pertence tão somente a si próprio, e qualquer ato de violência contra as mulheres é injustificável, porque os corpos são delas.  
A confusão continua quando homens frente a elevados cargos se tornam ditadores, justamente porque não distinguem autoridade de autoritarismo. Um líder não deve impor nada pela força bruta, mas convencer pelo discurso coerente. Outros com medo de serem chamados de ditadores se tornam profissionais omissos e não exercem a autoridade do seu posto, deixando de contribuir para o pleno desenvolvimento da instituição a que pertence e da sociedade
A coisa fica pior quando se tenta criar um debate exitoso para entendermos os limites da prática extraída dos significados de cada dualidade e suas inter-relações com outras dualidades. Para que um debate seja eficiente precisamos diferenciar três tipos de questões: factual, valorosa e semântica. A “questão factual” é objetiva e deve seguir as leis da lógica, cujas partes se relacionam sistematicamente entre si. A “questão valorosa” é subjetiva e deve ser pautada tanto pelo respeito quanto pelos posicionamentos individuais ou coletivos. Já “questão semântica” orienta-se quanto à noção clara do significado de cada palavra que está sendo discutida. Há equívocos do tipo “como um homem não pode gostar de música? ”. Essa é uma “questão de valor” não se pode discuti-la objetivamente. Agora, veja essa expressão “Não existe urubu branco, essa é minha opinião e pronto”. Claro que existe urubu branco, é um fato e não se pode questionar subjetivamente. Nos atuais debates sociais, além do desvio de tema também é notada a grande dificuldade de distinguir os tipos de questões, tornando reuniões ou embate intelectuais falhos e improdutivos.  
Agora, fiquem atentos as duas expressões seguintes “amo tudo isso” (dito em uma boate) e “amo tudo isso” (dito em uma igreja). Epa! Se fôssemos efetuar um debate sobre o amor, teríamos a “questão de valor” e a “questão semântica” presentes). Deveria ser observado os significados denotativos (próprios) do termo e também as concepções de julgamento que cada indivíduo faz sobre as diferentes acepções desse termo: profano, filial, humanitário... Se um sujeito estiver numa discussão expressando sobre o amor no sentido profano e outro no sentido filial, o produto deste debate será totalmente em vão. Dessa forma, devemos ter ciência entre questionamentos objetivos, subjetivos e conceituais. Como melhorar isso e evitar as falácias nos discursos? Simples, devemos ler muito. A grande dificuldade de uma argumentação eficiente encontra-se no pouco hábito de leitura, tema abordado na semana passada. Isso mesmo! Ler, liberta a mente  e oferece luz aos nossos olhos.



DESTRUIÇÃO: A PODRIDÃO DO PODER

Por Olavo Câmara
Quando houve o impeachment do ex-presidente Collor, todos pensavam que o Brasil tinha novas perspectivas. Passados alguns anos, ressurgem os problemas e o maior escândalo da história brasileira. O que fazer caro leitor, para juntos ajudarmos a elevar a consciência do povo brasileiro, pensando sempre na Pátria, no desenvolvimento, na honestidade e trabalhar para uma sociedade melhor. O poder corrompe não há dúvida. Um dia o cadáver virará pó e se fundirá com os elementos químicos materiais da natureza, pois são estes que compõem o corpo humano. O que salva então? Apenas a consciência humana. Para quem acredita que o homem é dual em natureza e possui além do corpo físico, um corpo psíquico, podendo significar espírito ou alma, vale a pena pensar e até fazer uma reflexão: “tenho que cultivar a minha consciência, pois é o que vale”. O filósofo Sócrates, na Antiga Grécia, antes de beber sicuta, pois fora condenado à morte, afirmou aos seus discípulos: “Parem de chorar, pois Sócrates é imortal e jamais morrerá como estão dizendo”. Morrerá “este corpo, esta cabeça, estas mãos e estas pernas, mas não Sócrates, pois este é imortal”. Fantástico pensar como Sócrates, na imortalidade e na humildade. Aliás, talvez os dois seres mais humildes que passaram pelo planeta, pelo que se tem notícia, um é Sócrates e o outro é Jesus, o Cristo. As pessoas de todas as camadas sociais lutam para conquistar poder. Quando conquistam posições poderosas se tornam orgulhosas, arrogantes e prepotentes. Mas, chega um dia que as suas forças começam a desaparecer, a idade chega e o seu físico vai perdendo vigor até que a morte o abate e retorna para o pó de onde veio. Quantas maldades pelo mundo afora e no Brasil não é diferente. Há inúmeros conflitos armados no globo terrestre, levando milhões de pessoas à morte, devido à fome, doenças, ferimentos causados pelas guerras, explosões, roubos, furtos, tiroteios e atentados. Quais são as causas? A busca desenfreada do poder. A ambição plena os domina e pensam que são donos do mundo, esquecem que são frágeis. Então, eis uma alegoria para lembrar as pessoas que mergulham as suas mãos nas águas sujas dos vícios e dos crimes. “Do pó vieste e para o pó voltarás.” Não deixe a sua carne se desprender dos ossos ainda em vida e, não se apodreça enquanto ainda pode pensar. Eleve a sua consciência e trabalhe de alguma maneira para combater a corrupção e todos os crimes que assolam a nação.
Olavo Câmara. Advogado, Professor, Mestre e Doutor em Direito e Política.

23 de mar de 2016

Entrevista com autor do livro O Iminente Colapso de Boston

Por  (Blog Livros e Chocolate Quente)
O Iminente Colapso de Boston 

Em 2034, nas ruas de Boston a Rátio intensifica o tráfico de AK 36, droga que potencializa as habilidades mentais, mas em pouco tempo leva os usuários à morte por decomposição corporal. A Rátio arrecadou bilhões de dólares com o comércio da substância proibida e usou o dinheiro para desenvolver exoesqueletos que funcionam como uma resistente armadura e possuem armas potentes acopladas à sua complexa infraestrutura. Patrick Monks e mais dois jovens foram recrutados pela Rátio para invadir uma fortaleza do governo americano. O local é protegido por robôs gigantes que disparam poderosas rajadas de laser. Quando Patrick e os dois ratianos tentam invadir a fortaleza recebem fortes descargas de laser, que também atingem uma reserva de urânio que poderá eliminar Boston do mapa por meio de uma gigantesca explosão nuclear. O governo mobiliza veículos por terra e pelo ar para socorrer a população da cidade. O tempo é escasso e grande parte da população pode perder a vida. O livro de Vandi Dogado é uma mistura de ficção científica regrado de mistério e suspense. A história traz ainda uma profunda reflexão sobre a morte, a vida, o amor e a ganância. “O eminente Colapso de Boston” é a sexta obra do autor Vandi Dogado, a primeira lançada pelo selo Talentos da Literatura Brasileira, do Grupo Editorial Novo Século.

Confira agora o bate papo com o autor: 

Vandi Dogado é casado com Sandra Melchior. Atua como professor de Língua Portuguesa e é autor dos livros "O Templo de Aiakos" (literário), "Quim Nunca Esteve Lá" (contos populares), "Inteligência e Aprendizagem: desafios mentais" (psicologia cognitiva), "Escrita e Leitura: novas tecnologias da informação e comunicação" (educacional), Mentalux: técnicas de estudo e otimização do tempo" (Guia de instruções) e está lançando este ano "O Iminente Colapso de Boston" (literário). Durante muitos anos, escreveu livros como Ghost Writer para editoras estrangeiras. Escreve também artigos de opinião em jornais do interior e da grande São Paulo. Nasceu em Bernardino de Campos, interior do Estado de São Paulo. Atualmente, vive em Araçariguama, a 50 km da capital paulista, onde foi Secretário de Cultura e Turismo de 2009 a 2012 e implantou um grande programa de formação artístico-cultural. Formado em Letras pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP); Docência para o Ensino Superior; Psicopedagogia pela­­ Universidade Estadual do Vale do ACARAÚ-CE; e Mestre em Educação pela Universidade de Jaén. 
Livros e Chocolate Quente:Como surgiu a ideia de escrever "O iminente colapso de Boston" ?
Vandi Dogado: Meu último livro “O Templo de Aiakos” foi publicado em Inglês por editora dos EUA e em Português por editora de Portugal. Vendeu muito no exterior, mas justamente por ter sido publicado por editoras estrangeiras não ficou tão conhecido no Brasil. A ideia de escrever o “O Iminente Colapso de Boston” foi a dar continuidade ao projeto de “O Templo de Aiakos”. Não se trata de uma continuação de enredo como na maioria das séries, mas o protagonista é o mesmo. Embora existam relações de certos fatos entre os dois livros, não há necessidade de ler o primeiro para entender o segundo e vice-versa, cada um possui começo, meio e fim. Desta vez, o livro está sendo lançado pelo Grupo Editorial Novo Século (selo Talentos da Literatura Brasileira), ou seja, uma gigante do mercado de livros, assim o livro poderá ser encontrado nas melhores livrarias do Brasil, indicando que tem forte potencial para tornar-se um dos mais vendidos de nosso país.  
Livros e Chocolate Quente: Quanto tempo demorou para a história ficar pronta?
Vandi Dogado: Escrevo relativamente rápido, a história ficou pronta em menos de duas semanas. Depois houve um trabalho de reescrita que levou mais duas semanas. Isso não significa que o livro seja como a maioria da “literatura comercial”, isto é, não provoca no leitor reflexões sobre a complexidade do comportamento humano. 
Livros e Chocolate Quente: O que o leitor pode esperar de "O iminente colapso de Boston" ?
Vandi Dogado: Muito mistério e suspense. Encontrará também nas entrelinhas uma crítica ferrenha à ganância pelo poder, ao desprezo à vida e à obsessão pelo aprimoramento intelectual. 
Livros e Chocolate Quente: Você acabou de dizer que o livro é uma série. Quantos livros terá essa série?
Vandi Dogado: Não pensei nisso ainda. O terceiro livro já está pronto, mas por questão de estratégia de marketing será lançado daqui a um ano. O que posso dizer é que tenho mais quatro histórias na cabeça, então não menos que sete se tudo correr bem.
Livros e Chocolate Quente: Qual autor ou autora é seu preferido?
Vandi Dogado: Dostoievsky, Tolstoy, Machado de Assis, Jorge Luiz Borges, José Saramago, Gabriel Garcia Marques, Herman Hesse, Conan Doyle, Graciliano Ramos, Thomas Pynchon, Raquel de Queiroz e Miguel de Cervantes. Há muitos escritores e escritoras brilhantes, estes foram os primeiros que me vieram à mente. 
Livros e Chocolate Quente: Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever?
Vandi Dogado: Não posso afirmar que me inspiraram em minhas obras, contudo tenho convicção de que fazem parte do ser humano que me tornei. 
Livros e Chocolate Quente: Se "O iminente Colapso de Boston" pudesse ter uma trilha sonora qual música você escolheria?
Vandi Dogado: Aí você me pegou (risos). Sinceramente deixarei essa aos cineastas. O que posso imaginar que teria de ser rock por causa da alta tensão da trama.
Livros e Chocolate Quente: Deixe uma mensagem para nossos leitores.
Vandi Dogado: Agradeço pela entrevista e parabenizo o grande serviço sociocultural prestado por todos os colaboradores deste espaço tão relevante. Deixo ainda meu carinho e respeito a todos os leitores do site “Livros e Chocolate Quente”, afinal são por eles que escrevemos.
Espero que tenha gostado ;) 


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O iminente colapso de boston

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